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A crise do carboidrato na saúde mental

Artigo construído com base em mais um dos cursos profissionalizastes que fiz, este de Dieta Cetogênica para Psiquiatria, com a maior nutricionista do tema no mundo, Beth Zupec-Kania.

A conferência ‘Diet, nutrition and mental health and wellbeing’. Plenary Lecture: Mental health as an emerging public health problem.” Londres, 2027) já concluía:

“De fato, evidências recentes sugerem que apesar de um substancial aumento de psicotrópicos  e terapias disponíveis, o peso da depressão na população global não reduziu e pode estar inclusive aumentando. Estratégias adicionais são necessárias.”

Proc Nutr Soc 2017;76(4)427-426

As desordens mentais mais comuns no mundo estão explodindo nos eua

  • Pânico
  • Fobias
  • Ansiedade social
  • Obsessão e compulsão
  • Estresse pós-traumático

Já atingem quase 20% dos adultos. A eles são dados tratamentos como Terapia cognitivo comportamental, mindfulness, relaxamento, terapia comportamental, além de medicações como SSIR, SNRI e pregabalina. Ainda benzodiazepínicos, fluoxetina, mirtazapina, escitalopram, bupropiona, viortixetina etc.

Sintomas comuns de depressão

  • Insônia,
  • Mudanças no apetite,
  • Falta de concentração,
  • Perda de energia,
  • Falta de vontade ou hiperatividade
  • Dores físicas e musculares,
  • Falta de esperança,
  • Pensamentos suicidas

Atingem quase 1 a cada 10 adultos americanos… E quase 1 a cada 5 JOVENS

(NIH SURVEY 2020)

Ansiedade e depressão: a relação

Quase metade da população diagnosticada com depressão também é diagnosticada com ansiedade (https://www.psychiatrictimes.com/view/mental-health-america-crisis)

O Milagre da Serotonina

A teoria seria que todos estes quadros teriam como causa baixos níveis de serotonina.

Assim,  tratamento de primeira linha seriam os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

E depois viriam inibidores seletivos da recaptação de serotonina e noradrenalina e os moduladores de serotonina.

Revisão Sistemática não viu eficácia

Em 2022, uma revisão sistemática de 17 estudos e 12 metanálises não encontrou relação para a hipótese da serotonina. Monorieff, Joanna, et al. “The serotonin theory of depression: a systematic umbrella review of the evidence.” Molecular psychiatry (2022): 1-14.

Então, medicações funcionam?

30 a 40% das pessoas não respondem a medicações tradicionais.

The Lancet Psychiatry Commission: a blueprint for protecting physical health in people with mental illness

Estes dados são bem paralelos com o que vemos com as medicações para epilepsia. MAS, quando se trata de epilepsia, estes pacientes se tornam candidatas para Dieta Cetogênica, justamente por não terem respondido a duas ou mais medicações.

Este é o padrão de ouro. Se duas ou mais medicações não funcionam na epilepsia, entramos com cetogênica, mas não aqui nestes casos. Por quê?

A mudança da alimentação em 1970

A crise do carboidrato na saúde mental 1

Os macronutrientes servidos nos pratos mundo afora sofreu abrupta mudança.

A crise do carboidrato na saúde mental 2

Isso ocorreu pela explosão de alimentos processados, fast foods, lanchinhos e uma mudança na agricultura, como um grande investimento no trigo por exemplo.

Courtesy of Jeff Volek, RD, PHD Univ. of Cincinnati, OH

O consumo de proteína se manteve o mesmo, mas o de gordura reduziu. Esta mudança começou em meados de 1970. Nos EUA, os alimentos ultraprocessados aumentaram quase 60%.

dieta cetogenica

Ultra-processed foods and cardiometabolic health: public health policies to reduce consumption cannot wait

O ideal da alimentação atual

O órgão NIH é responsável por publicar as referências nutricionais da população. A última atualização foi em 2005. O documento pode ser baixado na internet e possui quase mil páginas, mas alguns trechos chamam a atenção:

Para adultos e crianças, o número de carboidratos diários é de 130g. Eles explicam nesta mesma página:

O limite mais baixo compatível com a vida humana é aparentemente zero, desde que proteínas e gorduras sejam consumidas.

Eles mencionam o povo Masai, Inuits e Pampas, explicando que zerar carboidratos nestas populações parece não ter influenciado na longevidade. “Contudo”, dizem eles,

uma moderna e detalha comparação com povos que se alimentam apenas de carboidratos jamais foi feita.

Beth Zupec-Kania, a maior nutricionista do mundo quando falamos de Dieta Cetogênica, pede aos seus colegas que sempre chequem com seus clientes o que estão comendo antes de recomendar mudanças, pois rapidamente uma dieta composta por um café da starbucks, iogurte adoçado pela indústria, uma barrinha de cereais, uma garrafa de suco e um muffin de padaria somam 245g de carboidratos. Isso que não contamos frutas e verduras neste caso – apenas os alimentos ultraprocessados. Fato é que ela comia mais do que o dobro do que o indicado na soma final.

Minha maneira de trabalhar é com substituições: um café preto com creme ou manteiga, iogurte natural com frutas low carb, torresmo, chá gelado e muffins feitos em casa. Aqui, somamos 14g de carboidratos totais.

O Índice Glicêmico Importa

A resposta que o carboidrato gera no corpo também impacta na resposta. É a chamada resposta glicêmica do alimento no organismo. Por exemplo, uma xícara de café com açúcar gera um pico de glicose seguido de uma queda abrupta. Alimentos com fibras, os carboidratos complexos, fazem o corpo levar mais tempo para absorver este açúcar. Portanto, a curva é muito menor e, também, o impacto no corpo.

indice glicemico dieta cetogenica

Tanto, que um dos tipos de Dieta Cetogênica utiliza apenas os índices glicêmicos dos alimentos para nunca ter picos de glicose, atingindo sim resultados mais baixos, mas sendo um tratamento de alta relevância, como coloco no link de outro curso que fiz, na Matthews Friends.

O esquecido caso das proteínas

Em termos gerais, o indicado para adultos é de 0,8g de proteínas por quilo pesado. Exemplo, eu peso 60kg, portanto comeria algo como 50g de proteínas diariamente.

Se formos olhar sob a ótica das calorias, isso significa que 35% das calorias diárias devem vir de proteínas de alta qualidade.

Mas como as proteínas afetam as curvas glicêmicas?

As curvas de picos de açúcar que querem evitar como vimos acima? De uma forma similar aos carboidratos complexos. Veja abaixo por que a dieta cetogênica não é uma dieta de proteínas liberadas e por que a maioria das pessoas não alcança altos níveis de corpos cetônicos justamente pelo excesso de proteínas.

proteinas dieta cetogenica

Como vimos, a proteína reduz ainda mais o pico de açúcar no sangue, reduzindo a curva glicêmica. É justamente por isso que todas as refeições e lanches devem conter proteínas, desde que não ultrapassem a quantidade calculada no dia. A resposta de cada corpo é totalmente individual e pode ser monitorada através do aparelho freestyle optium neo, da Abbott, com as fitas ROXAS, escritas KETONES.

 

Gorduras: o principal macronutriente da Cetogênica Terapêutica

gorduras na dieta cetogenicaNão existe uma recomendação diária para gordura, mas ele varia de 25% a 35% das calorias totais do dia. Por exemplo, se uma pessoa comer 2.000 calorias ao dia, comerá entre 55g a 75g de gordura. A NIH deixa claro que “não existe limite máximo de gordura, porque não há efeitos adversos.”

dieta cetogenica gorduraComo vemos, a ingestão de gorduras com as refeições reduz ainda mais a curva glicêmica, evitando o que queremos aqui, os picos e quedas abruptas de açúcar e promovendo grande saciedade por muito mais tempo.

Linhas gerais de alimentação

diretrizes gerais da alimentacao saudavel

  • Carboidratos: 130g, mas não são essenciais
  • Proteínas: 0,8g/kg – de alta qualidade
  • Gorduras: 25 a 35% das calorias sem limite máximo

Contudo, mesmo que não seja uma dieta em si, a chamada SAD (Standard American Diet – dieta americana padrão), segue outra linha:

  • Excesso de açúcar refinado
  • Excesso de comida processada
  • Alta relação ômega 6:3.

A mudança na dieta

As gorduras começaram a mudar pela década de 1970 (canola, soja, girassol, milho) e um abrupto consumo em gorduras animais e oliva. Esta dieta tem deficiências como vitamina D, colina (o medo da gema de ovo pelo colesterol), E, K, magnésio.

Deficiências nutricionais podem ser a causa da depressão

Diversos artigos publicaram que determinadas deficiências nutricionais estão ligadas à depressão, como:

  • Proteínas
  • Vitaminas B
  • Vitamina D
  • Magnésio
  • Zinco
  • Selênio
  • Ferro
  • Ômega 3
  • Ácidos graxos de cadeia curta

E isso tudo pode estar por trás dos grandes problemas intestinais que temos, sendo que ele nos protege de patógenos, ajuda no metabolismo das gorduras e da glicose, e a vitamina k e a serotonina, por exemplo, são majoritariamente produzidas no intestino.